
João Pinto, o mítico
"Broas", é o mais emblemático senhor das laterais lusas.O seu irascível e temperamental imperador durante década e meia cruzava com conta, peso e medida para a cabeça dos gravadores,que ansiosos recolhiam todas as suas declarações.
Imperial no jogo jogado e senhorial no jogo falado, a única coisa que separava
Broas da absoluta imortalidade seria um bigode, vociferavam alguns malcontentes.
Balelas, digo eu.
Broas é, e sempre será um mito da bola. Nem sempre o bigode faz o hóme.
Pois bem,
Jorge Nuno não dormia em forma, e como tal,já tinha um sucessor do futuro gasolineiro de Oliveira do Douro na prateleira, não fosse este pendurar as suas chuteiras Lacatoni ou embarcar numa aventura além-fronteiras(que bom teria sido ouvir
Broas falar inglês ou francês).
Durante anos,
Joaquim Neves foi criado em laboratório, tal qual o monstro de Dr.Frankenstein.
Quim (como o trataremos amiúde daqui em diante, de forma meramente informal) aquecia o banco minutos, horas, dias, meses, anos a fio enquanto observava o imortal lugar-tenente da lateral direita em acção. Bloco de notas em punho, mente esponjosa e absorvente, qual tampão da O.B.
Finalizada a aprendizagem, esperava-se um ingresso em grande de
Neves, o Quim.
Quim, o homem, o
senhor que iria dar continuidade ao flanco direito do
FCP e da
selecção Nacional. Hossana na lateral! Porém,
Quim falhou.
Neves derreteu perante a pressão, como um floco de Neves. Perdão, neve. Neves, o projectado fustigador, passou a Neves, o fustigado.
Porém, enquanto
Quim batia o record de empréstimos consecutivos em equipas diferentes durante o seu tirocínio fora das Antas, outro
Neves brilhava mais a sul, mais propriamente no estádio da Liga mais próximo da Cova da Moura.
O bom do
Rui Neves começou a sua carreira em 1983 no reputadíssimo e multi-titulado
Monte Abraão, que estranhamente utilizou apenas como trampolim para o inferior
Estrela da Amadora, ainda como imberbe petiz dos juvenis.
No total,
Rui, o Neves, esteve 18 anos ao serviço da agremiação da terra mais feia de Portugal (pedimos desculpa à Covilhã, mas contra factos não há argumentos. Porém, o 2º lugar assenta-vos bem).
Rui, o Neves, foi uma espécie de Hélio da Reboleira, assantando arreais na lateral esquerda durante tempos a fio. Tempos, tempos, tempos e tempos. Até que já não aguentaram ver a sua fronha em campo e o recambiaram para o Monte Abraão, onde actualmente é responsável pela remoção de musgo da bancada 5 do Sector 10 B.
Neves e Neves, Laterais, LDA.